sexta-feira, 6 de março de 2009

Capítulo III -N.B.L

A Última Decisão


Estava perto de casa,e não havia parado de correr,agora para os outros eu era apenas um vulto em meio a densa escuridão da noite,a agilidade me favorecia,mas não era grata e nem sorria por isso,eu não ligava mais para isso,segurava com as minhas forças as lágrimas,não iria chorar,não como antes,a raiva de não saber,isso me consumia,me sentia totalmente sozinha e vulnerável agora,como se qualquer um pudesse simplesmente me matar,ainda restava a coragem,não muito mas o que ainda havia sobrado depois de pensar em tudo isso,seria o suficiente para lutar e vencer,e eu apenas tinha certeza disso.

Faltava apenas um quarterão,podia ver a minha casa dali,os muros enormes,as cercas e os alarmes eu estava correndo,para um lugar que agora seria o fim do mundo-Do meu mundo-Eu corria para minha prisão sem saber se sairia de lá tão cedo,eu senti um vento mais forte,pude sentir que ele...o que me perseguia estava perto,mais perto do que eu podia imaginar,ouvi o seu riso se divertindo com tudo isso,mais não virei para olha-lo,o que quer que fosse morreria e seria por minhas mãos,pela primeira vez teria a coragem de matar,sem piedade,eu já havia aceitado e me transformado,me fechado mais ainda e meus olhos talvez nunca demostrassem algum sentimento novamente,eu sabia disso,e eu me entristecia ao saber disso,mas já era tarde demais,tarde demais para retomar tudo,não era a mesma e nunca mais seria-Não a partir desta noite,não a partir de alguns minutos atrás,a mudança começava agora e a frieza era apenas o começo de tudo-Se isso seria o modo mais fácil ou não,apenas eu saberia,e como todas as outras coisas eu não tinha a resposta neste momento.

Agora eu estava poucos metros da minha casa,corria sobre os muros finos das outras casas,nunca corri tanto para encontrar uma coisa que eu não queria,foi quando um vulto na mesma agilidade que eu me perseguia mais visivelmente do que antes,eu não pararia mais sabia que não precisaria disso,até por que ele tentaria me parar e se eu estivesse certa tentaria me matar,mas ele não sabia que eu poderia mata-lo antes que ele pudesse perceber,agora a vontade de matar alguém era absoluta em mim,eu queria que isso passasse,que desaparecesse,mais eu já havia entendido que assim como as outras coisas isso não passaria tão facilmente.
Faltava pouco,em menos de dois míseros minutos eu estaria em casa,mais esse tempo parecia não passar,e eu continuava a correr. Sem nenhum esforço apenas pulei de um muro ao chão em frente ao portão da minha casa,não queria usar chaves,eu não precisava delas e para agora apenas iria garantir que o que estivesse atrás de mim me matasse ou não.


Distanciando-me do portão apenas olhando o enorme muro da minha casa,deveria ter três metros ou mais,nunca havia parado para contar isso,apenas subi o muro,sem ao menos usar as mãos,era fácil para mim,era como andar normalmente quando subia um morro,só que mais rápido e a força que usava para conseguir não era nada perto da que eu poderia fazer,quando queria e tinha vontade,pulei a cerca elétrica que ficava obre o muro facilmente,sem ao menos perceber já estava no grande jardim da minha casa,eu poderia me tranquilizar agora,pelo menos era isso que eu pensava,eu sabia que aquela coisa que me perseguia não entraria aqui hoje,meus pais estavam em casa e ele não ousaria fazer isso.

Apenas ouvi o mesmo riso e uma frase

-Chegará um momento que você estará sozinha,e sem lugar para fugir e ninguém para te proteger,eu esperarei,sou muito mais paciente do que imaginava,e quando essa hora chegar será sua morte e pode ter certeza disso,eu anseio a sua morte assim como você ansiava a minha morte a alguns momentos atrás,me decepciona saber que este sentimento esta passando,quero ver isso em seus olhos quando a sua morte chegar,será minha vingança. Só estou lhe avisando que você não deveria ser desta família,pode se perceber que nunca nasceu para isso por mais que tente se convencer,espero que pelo menos seja divertido,pois sua morte será a melhor para mim e a pior para você.

Estava distante,as palavras pareciam mais uma canção que uma ameaça e um aviso de morte,ele estava do outro lado do muro enquanto eu continuava andar em direção a casa,aquilo poderia parecer ruim,ouvir que alguém forte queria me matar e me torturar,mas para mim também seria divertido por que quando eu o encontrasse o o mataria antes mesmo que ela pudesse fazer algo contra mim,eu já havia escutado esta voz,e não era só em meus pesadelos onde ela ecoava,era na realidade,a noite passada.

Como eu sabia agora era certeza,ele não havia morrido,me lamentava por que eu não havia conseguido mata-lo naquele momento,mas sem dúvidas agora eu tinha um desafio e isso me animava,enquanto eu andava apenas consegui sorrir ao pensar nisso respondi usando uma voz baixa que eu sabia que ele poderia ouvir.

-Alguém morrerá mas você está errado...eu o matarei nem que seja a última coisa que eu faça...você não deveria me subestimar de tal forma,os que aparentam fraqueza são os que devem ser mais temidos...a sua expectativa esta bem diferente da minha,eu o caçarei mesmo que minha vida esteja em jogo,agora será questão de orgulho.

Eu dizia tudo isso em uma voz calma e tranquila,não sabia de onde isso vinha,mas se eu continuasse a mesma de quando eu havia me levantado esta manhã agora estaria com medo,e desta vez eu não sentia nada deste tipo,pelo contrário a certeza me consumia,enquanto eu andava calmamente até a porta da minha casa atravessando o jardim,pude ainda ouvi-lo mesmo já estando metros de distância do portão,ele deu uma risada

-veremos -Disse ele por fim,eu não falei mais nada,já sabia que ele não estava mais ali,eu poderia sentir,apenas cheguei a grande porta a da mansão onde eu morava,sem esperar um segundo girei a maçaneta da porta e olhei em frente.

Meus pais estavam ali me esperando em frente a escada junto com Lya e Kevin,eles me olhavam sérios e assim eu os encarava também,meu pai era alto 1,95,seus cabelos eram um castanho escuro que ao luar pareciam preto,seus olhos eram castanhos assim como os meus,o seu cabelo liso caia em seus olhos,ele tinha apenas 35 anos e ainda estava tão bem quando um homem de 25,parecia que ele fazia academia sempre,sua pele era branca mais não tanto quanto a minha,por mais que estivessem sérios eu poderia ver atrás daquela máscara atual que me encarava todos os dias desde de criança. Por alguma razão ele estava orgulhoso e seus olhos me diziam isso por mais que o resto poderia dizer que eu poderia estar encrencada meus olhos seguiam a cor dos seus e se tornavam iguais quando eles se encontravam mesmo por frações de segundos,mesmo sem muito contatos e brincadeiras tive momentos maravilhosos ao lado dele, Stiven Clayderman era mais do que os outros conheciam,sob aquele terno preto com risca de giz que sempre usava e sua gravata azul marinho algo me dizia que apenas eu sabia disso,a única que ele não escondia nada nem se quisesse e lutasse para isso.

Ao lado dele,minha mãe ,linda como sempre e parecida comigo,os cabelos castanhos em tons de marrom,sua pele tão branca quanto a minha,mas os olhos eram verdes e sinceros por mais que ela estivesse séria,ela vestia um conjunto jeans impecável comparado a uma mulher de negócios assim como o meu pai,seu cabelo estava presos em pequenos cachos e ondulações,o seu corpo esbelto como sempre,não parecia minha mãe,por mais que parecêssemos sempre achava que ela fosse mais bonita,daria inveja a qualquer mulher,ela era apenas poucos anos maus nova que meu pai 32,eles não pareciam ter a idade que aparentavam,muito mais novos,por último olhei Kevin e Lya e encostei a porta,aquele havia se passado em questão de segundos,eu apenas coloquei as mãos nos bolsos da jeans e caminhei tentando parecer despreocupada em direção a eles,meus olhos que por mais que felizes brilhavam um pouco do frio de alguns instantes atrás os focavam para talvez tentar ao menos desvendar suas reações-Sabia que isso não iria adiantar,quando eles me esperavam de tal forma tinha medo do que poderia ser-Mas segui até que eu estivesse bem a frente deles,com os olhos frios ainda os focando,mantendo eles em minha visão,tentava manter minha cabeça e meus pensamentos no que eles poderia falar.

Foi meu pai que começou

-Estamos preocupados com você Sarah..-Ele me olhava fixamente,de um modo impossível de se desviar
-Pensamos que algo tivesse ocorrido a você..-Minha mãe começou e meu pai a olhou fazendo a parar e esperar,eu olhava eles fixamente procurando um modo ou uma desculpa normal,Kevin e Lya apenas me olhavam sem nada falar.


-E não adianta pensar que alguma desculpa irá nos convencer,Sarah você esta mesmo preparada para assumir e saber o que realmente somos?você não acha que é muito nova? Esta realmente disposta a largar tudo por isso,mesmo sabendo que depois de revelado não poderá voltar atrás?...apenas me responda,está realmente pronta para isso?-Por essa eu não esperava,essas eram as perguntas sem respostas que fazia a mim mesma alguns segundos atrás,e eu já havia decidido,sem escolha ou opção de ajuda,isso chegaria e me perseguiria mesmo se não fosse agora,chegaria o momento que eu teria que aceitar e ouvir,e condenar o meu futuro...ou talvez não,meus punhos se fecharam mais eu continuei a olha-los .

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